Artigo: N S de Nazaré acolhe Dom Vicente Zico no céu!


Rio de Janeiro (RV*) - Estou comovido com a notícia da Páscoa de meu querido amigo e antecessor na Sé Arquiepiscopal de Santa Maria de Belém, do Grão Pará, Sua Excelência Reverendíssima, Dom Vicente Joaquim Zico, CM. Mais do que uma relação protocolar, realmente nos tornamos irmãos e amigos.

         Convivi, dentro da mesma residência, com Dom Vicente desde a minha nomeação para Belém! Um grande amigo e fraterna presença! Agora que ele volta ao Pai carregado de tantas boas obras, deixa saudades, pois sempre foi um belo exemplo de pastor! Sua voz continuará ressoando vigorosa nos corações que o ouviram falar apaixonadamente sobre Cristo, a Igreja e Nossa Senhora de Nazaré. Que receba a recompensa de uma vida doada a Deus e ao Seu Povo. Repouse em paz, bravo e santo homem de Deus!

         Os dons que Dom Vicente Zico recebeu de Deus serviram como canal de graça para tantas pessoas no decorrer de sua vida. Ele foi um autêntico servidor do Evangelho de Jesus Cristo. Chegou em Belém, nomeado que foi em 05 de dezembro de 1980, para ser Arcebispo Coadjutor de Dom Alberto Ramos. Cumpriu este ofício até 1990, quando se tornou Arcebispo Metropolitano, até a minha chegada em 2004, para sucedê-lo.

         Fez de seu ministério uma pregação constante do discipulado de Maria que leva Jesus: “Com Maria, Mãe de Jesus”!

         Quando Dom Vicente comemorou seus 80 anos de vida, como seu sucessor eu tive ocasião de dizer: “Ele é uma pessoa insubstituível, tem todo um carisma especial que sempre é levado adiante na sua missão”. Dom Vicente foi o 8º Arcebispo desta Arquidiocese, e toda esta programação, em que celebramos juntos o dia de São João Maria Vianey, é muito importante para comemorar também a figura respeitável do sacerdote. Antes de tudo, Dom Vicente foi um grande pai para os seus sacerdotes. Lembro-me bem de Dom Carlos Verzelletti, nosso Bispo Auxiliar naquele tempo, e agora Bispo de Castanhal, dizer com propriedade: ‘aprendi a ser bispo com ele’.

         Eu, de certa maneira, herdei os frutos do trabalho episcopal de Dom Vicente, o seu zelo, a sua dedicação, a sua simplicidade, a sua jovialidade, a sua alegria de pregar a Palavra de Deus e o seu testemunho de bom pastor que conheceu as suas ovelhas e as chamou pelo nome. A sua devoção especial por Nossa Senhora de Nazaré e as suas pregações empolgantes, em que exalava na sua voz grave aquilo que ele vivia genuinamente, emocionava a todos. Ele, simplesmente, antes de tudo foi um sacerdote, um religioso, que viveu a fidelidade do Evangelho com muita simplicidade e grande devotamento.

         Sorridente, sempre pronto para ouvir e para acolher, convivemos como irmãos. Não houve uma rusga entre nós, sequer um desentendimento. Dom Vicente sempre presente em todos os momentos da vida da Arquidiocese. Ele era o porto seguro que estávamos caminhando pastoralmente no caminho de Cristo, na busca da unidade.

         Dom Vicente percorreu os caminhos da santidade. Eu tive a graça de convidá-lo para pregar o retiro de todas as cinco turmas do clero aqui do Rio de Janeiro. D. Vicente Joaquim Zico partilhou, naquele momento de retiro, as suas experiências de participante do carisma de São Vicente de Paulo e da sua longa vida a serviço da Igreja. Foi pelo testemunho de sua vida, que pude presenciar durante nossa convivência em Belém do Pará, o quanto ele era alegre, o quanto era santo, o seu extremo zelo por tudo da Igreja.  Dele eu guardo esta figura de santidade, esta alegria em ser santo.

         Agradecemos ao Senhor pela sua vida e vocação, pelo seu “sim” e serviço à Igreja como homem de Deus, testemunhando, com alegria, a sua fé!

         Rezemos pelo seu descanso junto de Deus!

*Orani João Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro








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