2010-07-28 20:04:05

Papa Bento XVI ao novo embaixador da África do Sul: encorajo a África do Sul a fortalecer o seu compromisso na nobre tarefa de assistência às demais nações, ao longo do caminho da paz e da reconciliação


Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AO SENHOR GEORGE JOHANNES, NOVO
EMBAIXADOR DA REPÚBLICA DA ÁFRICA DO SUL JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

Excelência
É com prazer que lhe apresento as boas-vindas ao Vaticano e que recebo as Cartas Credenciais que o designam Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da África do Sul junto da Santa Sé. Agradeço-lhe as amáveis saudações e os sentimentos de boa vontade que Vossa Excelência manifestou em nome do Presidente, Senhor Jacob Zuma. Retribuo de bom grado, enquanto lhe peço que tenha a cortesia de transmitir as minhas congratulações e os meus bons votos a Sua Excelência, no momento em que toma posse do cargo de Presidente, mas também às autoridades civis e ao povo do seu país.

A transição rápida e pacífica da África do Sul para o governo democrático foi amplamente aclamada, e a Santa Sé tem acompanhado com interesse e encorajamento este histórico período de transformação. Ninguém pode duvidar que uma boa parte do crédito pelo progresso alcançado é devida à maturidade política e às qualidades humanas extraordinárias do ex-Presidente, Senhor Nelson Mandela. Ele foi um promotor do perdão e da reconciliação, e goza de um grande respeito tanto no seu país como no seio da comunidade internacional. Pedir-lhe-ia cordialmente que lhe transmitisse os meus bons votos pela sua saúde e bem-estar. Desejo reconhecer inclusive a contribuição de todos aqueles numerosos homens e mulheres comuns, cuja integridade, reflectida na sua abordagem honesta do trabalho, também ajudou a lançar os fundamentos para um futuro de paz e de prosperidade para todos.

O tamanho do seu país, a sua população e os seus recursos económicos, assim como a generosidade do seu povo faz da África do Sul uma das nações mais influentes no continente. Isto confere-lhe uma oportunidade singular para ajudar outros países africanos nos seus esforços para alcançar a estabilidade e o progresso económico. Tendo superado o isolamento associado à época do Apartheid, e ao mesmo tempo haurindo desta sua experiência dolorosa, o seu país tem envidado esforços louváveis para realizar a reconciliação também em outras terras, através das suas forças de manutenção da paz e das suas iniciativas diplomáticas. Países como Ruanda, Angola, Moçambique, Malavi e Zimbábue têm beneficiado desta assistência. Encorajo a África do Sul a fortalecer o seu compromisso na nobre tarefa de assistência às demais nações, ao longo do caminho da paz e da reconciliação, de maneira especial nesta época de dificuldade económica, para continuar a lançar mão aos seus consideráveis recursos humanos e materiais de modo a orientá-los para o bom governo e a prosperidade dos países vizinhos. Sem dúvida, encontram-se numerosos desafios ao longo desta vereda, entre os quais o grande número de refugiados nesta região não é o menos significativo. Contudo, estou convicto de que estas dificuldades podem continuar a ser enfrentadas no mesmo espírito de solidariedade e generosidade já demonstrado pelos sul-africanos.

O Senhor Embaixador discorreu acerca de alguns dos desafios sociais que o seu país está a enfrentar e sobre os planos de desenvolvimento que estão a ser delineados para os resolver. A pobreza contínua e a carência de serviços básicos e de oportunidades de emprego estão presentes em determinadas áreas, dando origem a numerosos outros problemas, inclusive a violência e a insegurança, o abusos de substâncias, as tensões étnicas e a corrupção. A angústia e a agressividade causadas pela pobreza, pelo desemprego e pela ruptura familiar tornam ainda mais urgentes os esforços realizados pelo governo para resolver estas dificuldades. A este propósito, encoraja-me observar os esforços que estão a ser realizados, em vista de garantir as condições necessárias para atrair investimentos internacionais e criar maiores oportunidades para a educação e o emprego, de modo especial para os seus jovens.

No seu discurso, Vossa Excelência fala sobre a grande conquista do governo democrático universal como o fundamento de uma vida melhor para todos. O povo da África do Sul tem demonstrado uma coragem moral e uma sabedoria grandiosas diante das injustiças cometidas no passado. Estou convencido de que na actual luta contra a pobreza e a corrupção, esta coragem e esta sabedoria haverão de prevalecer de novo. Justamente, o seu governo está a promover o progresso dos serviços de saúde e de educação juntamente com o desenvolvimento económico sustentável, procurando erradicar a pobreza e consolidar um clima de segurança. As famílias deveriam ser ajudadas nas suas necessidades e reconhecidas como os agentes indispensáveis na construção de uma sociedade sadia, enquanto as crianças e os jovens têm o direito de ver realizado o seu desejo de uma escolarização de qualidade, de exercer actividades extracurriculares e a oportunidade de encontrar o lugar que lhes compete no mundo do trabalho. A corrupção tem o efeito de desanimar as iniciativas comerciais e os investimentos, levando também os indivíduos à desilusão. Por conseguinte, o dinamismo que a África do Sul introduziu na luta contra a corrupção é extremamente importante e deve ser reconhecido e corroborado por todos os cidadãos. Cabe aos líderes cívicos, em particular, garantir que a luta para erradicar a corrupção seja realizada com imparcialidade, e acompanhada pelo respeito por um poder judiciário independente e pelo desenvolvimento constante de uma força policial altamente profissional. Ofereço o meu encorajamento para estas tarefas tão desafiadoras, e estou persuadido de que os obstáculos continuarão a ser superados.

A Igreja católica está convicta de que os serviços que ela oferece nos sectores da educação, dos programas sociais e de assistência à saúde têm um impacto positivo na vida do país. Ela contribui para a fibra moral da sociedade, defendendo a integridade, a justiça e a paz, e ensinando o respeito pela vida desde a concepção até à morte natural. De maneira particular, a Igreja católica desempenha seriamente o seu papel na campanha contra a difusão do vih/sida, ressaltando a fidelidade no matrimónio e a abstinência extraconjugal. Ao mesmo tempo, ela já está a oferecer uma grande assistência a nível prático às pessoas que sofrem deste mal, tanto no seu continente como no mundo inteiro. Encorajo os indivíduos e as instituições do seu país a continuar a oferecer o próprio apoio quer na pátria quer na região a todos aqueles que procuram aliviar o sofrimento humano através da pesquisa, da assistência concreta e do apoio espiritual.

Senhor Embaixador, formulo-lhe votos de todo o bom êxito na sua missão e asseguro-lhe a disponibilidade da cooperação por parte dos departamentos da Cúria Romana. Possa o Deus Todo-Poderoso derramar sobre Vossa Excelência, sobre a sua família e a nação representada pelo Senhor Embaixador, as abundantes Bênçãos de bem-estar e de paz!







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